quarta-feira, 2 de abril de 2014

Devolução

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Papai do céu, deus, entidade, energia, extraterrestres... ou à qualquer coisa a quem eu deva endereçar essa carta.
Há tempos venho afirmando que ando meio cansada de ser eu. Hoje após uma sessão de terapia, esse meio tomou corpo e se transformou em um inteiro.Estou absolutamente perplexa com o ser humano que eu pouco a pouco venho descobrindo ser. 
Está certo, eu sempre me soube muito sensível, mas pudera, nunca imaginei trazer tanta falta dentro de mim. Transformei-me em uma colecionadora de migalhas, porque na minha sensibilidade extrema, tudo me faltava. Não quero atribuir culpas a terceiros, para ser bem sincera, culpo-me e de certa maneira me detesto por não saber o que fazer com tudo isso, por não saber como elaborar a minha história de maneira a não desdenhar tudo a minha volta. 
Odeio-me com toda a minha verdade, por não saber pensar nessas carências e lacunas sem doer tanto. Odeio-me por trazer isso quase que como uma assinatura, nas minhas maneiras, falas e abraços. Não suporto meus olhos sempre cheios d’água. Odeio o nó recorrente que se coloca em minha garganta por qualquer coisa que arda meu peito. 
Eu juro que não consigo entender de onde surgiu essa alma com tamanha predisposição a derreter.
Não sou religiosa, mas se há almas, acredito que haja alguém que as envie, sendo assim venho por meio desta, relatar um engano a quem quer que seja o responsável.
Essa combinação não está dando muito certo, você ou vocês erraram a mão na dosagem dos elementos. Está sobrando muita coisa. Como não sou uma pessoa de pedir(você(s) bem sabe), venho apenas devolver os excessos.
Eu andei tentando viver assim mesmo, achava que era um karma, mas pensando melhor, acho que está errado, de verdade. Não faz sentido algum ter essa alma e viver nesse mundo.
Espero que me entenda(m) e remaneje(m) essa sensibilidade a tantos quanto for possível. 

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