Quanto mais eu penso menos eu consigo chegar em algum lugar.
Eu preciso mergulhar fundo em algumas questões afim de quem
sabe me entender um pouco, só um pouco mesmo, o mínimo para eu poder suportar
quem eu sou, o que eu escolhi e ser feliz com tudo isso, que de fato é enorme e
muito especial.
Faz tempo que eu não escrevo com seriedade as reflexões atuais
e as minhas novas maneiras. Passei por muitas fases nesses últimos anos, acho
que vivi vidas inteiras em alguns meses, e é fato que mudei muito.
Com toda minha franqueza, as vezes eu paro para pensar em
que tipo de gente eu me transformei e, por deus, eu não tenho a menor idéia!
Eu já quis mudar o mundo e hoje em dia eu penso exatamente
como aquelas pessoas que me entristeciam naquele tempo, seres cinzas apáticos,
que até já sonharam, mas que hoje sabem que o mundo valeria muito mais se não
fosse por nós.
De tudo que eu já julguei importante hoje me restam poucas
coisas, tão poucas que eu talvez nem as saiba as identificar assim de pronto;
essa minha nova fase está marcada por uma voz interior amena, que diz em um
mantra um constante “deixa para lá”, é uma postura absolutamente focada em
deixar os outros serem, fazerem e agirem como quiserem, seria uma virtude se eu
não tecesse comentários internos sobre tudo isso, é um não julgar como
exercício, não como essência.
Eu tento compreender toda a gente a qualquer momento, sempre
me volto a história pessoal, ao contexto social que aquele ser está inserido,
eu perdôo a todos por antecipação, mas apesar de tudo isso me vejo tendo pena e
desdém, sentimentos de quem se julga muito superior a tudo isso e a todos eles.
Critico-me severamente em relação a essa postura, entretanto,
tendo em vista que virtude nada mais é do que a repetição forçada de uma boa
ação tantas e quantas vezes for necessária até virar um hábito inconsciente,
perdôo-me por antecipação por ainda não ser tão virtuosa quanto minha
consciência julga necessário.
Vejo-me como uma criança muito bem educada e muito bem
polida, mas pouco verdadeira com seus impulsos e vontades. Perco-me entre ser,
deixar ser e obrigar-me a ser mais e melhor.
Nesses caminhos, exercícios e ações tento identificar o que
me compõe de fato, e apropriar-me do que sempre foi meu.
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