De tudo que eu me lembro da minha história, de todas as soluções mágicas que arrumei para seguir firme na vida, tudo resume-se em fuga.
Desde antes de ser possível notar-me como uma fugitiva eu já
o era.
Comecei a andar cedo, com 9 meses; acredito que o fiz apenas
para poder ir a lugares mais distantes e quietos. Não falava, demorei a
falar, meus pais achavam que eu era muda, faziam simpatia, promessa e reza
brava para quem sabe talvez virem a escutar a minha voz...eu podia falar, mas não
queria.
Desde pequenina a única coisa que me interessava era correr,
sumir, desaparecer. Pegava sozinha o meu travesseiro e saia da companhia dos
adultos, para dormir em paz.
Cresci e as coisas mudaram um pouco, mas só um pouco, agora
eu falo.
Não percebo-me cansada de fugir, eu sei que deveria, mas a
vida nos prende em nossos próprios hábitos e logo estamos confortavelmente imersos
no vicio cíclico de sermos sempre os mesmos, cheios de truques para suportar a nossa
tola existência.
Cobro-me, amarro meus pés e afrouxo meus lábios, afim de que
eu aprenda (enfim) a me expressar melhor e a correr um pouco menos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário