Viver é deveras complicado a maioria da gente, para mim, que
não me fiz pertencer a essa classe superior de animal é ainda mais difícil,
para não dizer dolorido.
A mecânica de ser "humano" não foi por mim
compreendia, não aprendi as matérias das aulas, não fiz a lição de casa, não
comprei o livro nem me dei ao trabalho de ler ao resumo.
Nada fazia sentido, nenhuma combinação de números, nenhuma
proporção, nenhum tratado, nem revolução. Tudo chegava-me como zumbidos a
perturbar toda a minha noção de realidade.
Deixei a prova em branco, mas a assinei, apenas para dizer
que eu existia.
Em tudo que se tratava de ser gente fui reprovada desde
sempre e até hoje.
Errei, errei e errei. Apenas me recordo de sucessões de erros
quando tento me lembrar do tempo em que eu tentava fazer parte de alguma coisa.
Pudera, esse mundo não me coube (ou fui que fui demais para
ele, ou de menos).
Entretanto, mesmo sem ser gente, misturo-me razoavelmente
bem; as pressas, aos goles e aos tragos, passo despercebida.
A noite todos os gatos são pardos e na cidade entre tanta gente
ninguém repara a fundo quando não há mais ninguém a reparar.
Por Pamela Facco
Por Pamela Facco