quarta-feira, 11 de junho de 2014

Muito mais o cordeiro em pele de lobo.

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Se eu tivesse que escolher entre tantos absurdos do mundo o que mais me causa pena, sem dúvida eu diria que são os pregadores. Pessoas más vestidas com uma fantasia de homens virtuosos e honestos.
Seres que trituram a nossa crença nos valores, na bondade e boa fé humana. São os grandes responsáveis por essa sociedade receosa, desconfiada e impura em que vivemos.
São seres tão encantadores, tão inteligentes que chegamos a crer plenamente em seus discursos, amizade e boas intenções. Parecem tão isentos de maldade e culpas que quando nos vemos em situações ruins que eles nos colocam chegamos a duvidar da nossa própria conduta e moral, pois sabemos que nós somos passiveis de erros, eles não (ao menos, acreditávamos que não).
É bem difícil encarar que fomos enganados por tanto tempo, assumir isso é matar uma parte maravilhosa de nós (a ingenuidade), no entanto reconhecer isso é absolutamente essencial para que possamos com toda consciência limar tudo e todos que possam se encaixar nesse perfil de gente que não vale a pena e passar a se gastar mais com seres adoravelmente imperfeitos, pessoas que claramente valem a pena. <3


A ÍNDOLE DA MULTIDÃO - BUKOWSKI
Traduzido por Clarah Averbuck

Há suficiente traição, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer
momento.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra o Assassinato.
E Os Melhores No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
-ENFIM- SÃO AQUELES QUE PREGAM
PAZ


Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam Paz
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado Com Os Conhecedores.


Cuidado
Com Aqueles
Que Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS


Cuidado Com Aqueles Que Ou Destestam
A Pobreza Ou Orgulham-se Dela


CUIDADO Com Aqueles Rápidos Em Elogiar
Pois Eles Precisam de LOUVOR Em Retorno


CUIDADO Com Aqueles Rápidos Em Censurar:
Eles Temem O Que
Desconhecem


Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantemente
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos


Cuidado
O Homem Vulgar
A Mulher Vulgar
CUIDADO Com O Amor Deles


Seu Amor É Vulgar, Busca
Vulgaridade
Mas Há Força Em Seu Ódio
Há Força Suficiente Em Seu
Ódio Para Matá-lo, Para Matar
Qualquer Um.


Não Esperando Solidão
Não Entendendo Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Difira
Deles Mesmos


Não Sendo Capazes
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão A Arte


Considerarão Seu Fracasso
Como Criadores
Apenas Como Falha
Do Mundo


Não Sendo Capazes De Amar Plenamente
Eles ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
ENTÃO TE ODIARÃO


E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta


Sua Mais Refinada
ARTE


O jeito que eu sei ser.



Há quem saiba se portar como uma criança bem educada sempre, eu não. Entrego minha polidez à momentos amenos e à pessoas neutras.
Não gosto de colocar panos quentes, nem nunca gostei de tapetes.
Quem quiser engolir sapos, que o faça, mas faça sem querer ser exemplo, pelo menos não a mim. Não sou discípula de engolidores de sapo.
Se quiser saber o que eu penso, esteja pronto para verdades, eu não minto, não omito, nem preciso fazer cena. Não sei fechar os olhos, virar a cara nem aprendi a sorrir para quem, nem para o que eu não gosto. Receba a minha cara fechada e o meu semblante de reprovação, se é isso tudo o que lhe cabe.
Se quiser ouvir elogios e receber sorrisos, irá de ter que fazer por merecer. Não, eu não ignoro falhas nem quebras como algumas pessoas perdidas fazem.
A maldade por mais disfarçada que esteja, nunca será coisa boa (nem normal, nem corriqueiro) não para mim.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Bronca.


Estou em uma fase extremamente tolerante, algo um tanto quanto não habitual para uma ariana, mas esse momento me trouxe a tona uma reflexão nova para mim e que eu gostaria de compartilhar. 

Existem algumas almas mais bem evoluídas que outras, alguns seres com o senso critico mais refinado do que o da grande massa, existem pessoas que acham que sabem como viver melhor e podem o fazer. É verdade também, que há uma grande discrepância cultural, social e de valores entre pessoas que convivem bastante próximas umas das outras. 
Que o ser humano vive de uma maneira totalmente errada é obvio, e o nosso planeta, nosso índios e nossa saúde está ai para constatar isso, mas quanto vale você olhar para alguém que sabe menos que você e dizer quão absurdo é a maneira que ele vive, quão ridículo são as coisas que ele faz, como ele se diverte e como e quem ele ama? 
É fato que 99% dos seres humanos vivem de maneiras absurdas ao se comparar com um ideal lógico, é fato que nem se quer paramos para pensar como seria a maneira “lógica”de se viver, eu poderia me estender nesse assunto que é bem interessante, mas o ponto é outro. 
Acredito sim que cabe a cada um de nós lutar a favor dos nossos idéias e sonhos, nos posicionar contra pensamentos e práticas que não nos caem bem, mas acima disso tudo, eu acredito que mais vale tentar entender a origem, causa e ir o mais profundo que der em cada uma dessas questões, afim de conseguirmos um mundo onde nossos inimigos não sejam as pessoas as quais convivemos, mas sim a cultura viciada e inculta a qual estamos submersos.

(escrito em 8 de janeiro de 2014)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Lapidando um nativo de Áries.

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De tudo que eu me lembro da minha história, de todas as soluções mágicas que arrumei para seguir firme na vida, tudo resume-se em fuga.
Desde antes de ser possível notar-me como uma fugitiva eu já o era.
Comecei a andar cedo, com 9 meses; acredito que o fiz apenas para poder ir a lugares mais distantes e quietos. Não falava, demorei a falar, meus pais achavam que eu era muda, faziam simpatia, promessa e reza brava para quem sabe talvez virem a escutar a minha voz...eu podia falar, mas não queria.
Desde pequenina a única coisa que me interessava era correr, sumir, desaparecer. Pegava sozinha o meu travesseiro e saia da companhia dos adultos, para dormir em paz.
Cresci e as coisas mudaram um pouco, mas só um pouco, agora eu falo.
Não percebo-me cansada de fugir, eu sei que deveria, mas a vida nos prende em nossos próprios hábitos e logo estamos confortavelmente imersos no vicio cíclico de sermos sempre os mesmos, cheios de truques para suportar a nossa tola existência.

Cobro-me, amarro meus pés e afrouxo meus lábios, afim de que eu aprenda (enfim) a me expressar melhor e a correr um pouco menos.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Todo resto não.

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Escrevo em primeira pessoa, porque não viro as costas para as palavras. Para todo resto, talvez o faça, mas para as palavras não. As combino e encaro: de frente, por baixo, de dentro, por cima e por fora. Porque de tudo que eu não tenho, daquilo que eu sempre quis e nunca foi meu, dos meus sonhos, lutas e devaneios o que me restam são palavras, combinadas, ardidas e liquidas. 

As palavras são minhas, todo resto não.

Em construção




Quanto mais eu penso menos eu consigo chegar em algum lugar.
Eu preciso mergulhar fundo em algumas questões afim de quem sabe me entender um pouco, só um pouco mesmo, o mínimo para eu poder suportar quem eu sou, o que eu escolhi e ser feliz com tudo isso, que de fato é enorme e muito especial.
Faz tempo que eu não escrevo com seriedade as reflexões atuais e as minhas novas maneiras. Passei por muitas fases nesses últimos anos, acho que vivi vidas inteiras em alguns meses, e é fato que mudei muito.
Com toda minha franqueza, as vezes eu paro para pensar em que tipo de gente eu me transformei e, por deus, eu não tenho a menor idéia!
Eu já quis mudar o mundo e hoje em dia eu penso exatamente como aquelas pessoas que me entristeciam naquele tempo, seres cinzas apáticos, que até já sonharam, mas que hoje sabem que o mundo valeria muito mais se não fosse por nós.
De tudo que eu já julguei importante hoje me restam poucas coisas, tão poucas que eu talvez nem as saiba as identificar assim de pronto; essa minha nova fase está marcada por uma voz interior amena, que diz em um mantra um constante “deixa para lá”, é uma postura absolutamente focada em deixar os outros serem, fazerem e agirem como quiserem, seria uma virtude se eu não tecesse comentários internos sobre tudo isso, é um não julgar como exercício, não como essência.
Eu tento compreender toda a gente a qualquer momento, sempre me volto a história pessoal, ao contexto social que aquele ser está inserido, eu perdôo a todos por antecipação, mas apesar de tudo isso me vejo tendo pena e desdém, sentimentos de quem se julga muito superior a tudo isso e a todos eles.
Critico-me severamente em relação a essa postura, entretanto, tendo em vista que virtude nada mais é do que a repetição forçada de uma boa ação tantas e quantas vezes for necessária até virar um hábito inconsciente, perdôo-me por antecipação por ainda não ser tão virtuosa quanto minha consciência julga necessário.
Vejo-me como uma criança muito bem educada e muito bem polida, mas pouco verdadeira com seus impulsos e vontades. Perco-me entre ser, deixar ser e obrigar-me a ser mais e melhor.
Nesses caminhos, exercícios e ações tento identificar o que me compõe de fato, e apropriar-me do que sempre foi meu.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Devolução

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Papai do céu, deus, entidade, energia, extraterrestres... ou à qualquer coisa a quem eu deva endereçar essa carta.
Há tempos venho afirmando que ando meio cansada de ser eu. Hoje após uma sessão de terapia, esse meio tomou corpo e se transformou em um inteiro.Estou absolutamente perplexa com o ser humano que eu pouco a pouco venho descobrindo ser. 
Está certo, eu sempre me soube muito sensível, mas pudera, nunca imaginei trazer tanta falta dentro de mim. Transformei-me em uma colecionadora de migalhas, porque na minha sensibilidade extrema, tudo me faltava. Não quero atribuir culpas a terceiros, para ser bem sincera, culpo-me e de certa maneira me detesto por não saber o que fazer com tudo isso, por não saber como elaborar a minha história de maneira a não desdenhar tudo a minha volta. 
Odeio-me com toda a minha verdade, por não saber pensar nessas carências e lacunas sem doer tanto. Odeio-me por trazer isso quase que como uma assinatura, nas minhas maneiras, falas e abraços. Não suporto meus olhos sempre cheios d’água. Odeio o nó recorrente que se coloca em minha garganta por qualquer coisa que arda meu peito. 
Eu juro que não consigo entender de onde surgiu essa alma com tamanha predisposição a derreter.
Não sou religiosa, mas se há almas, acredito que haja alguém que as envie, sendo assim venho por meio desta, relatar um engano a quem quer que seja o responsável.
Essa combinação não está dando muito certo, você ou vocês erraram a mão na dosagem dos elementos. Está sobrando muita coisa. Como não sou uma pessoa de pedir(você(s) bem sabe), venho apenas devolver os excessos.
Eu andei tentando viver assim mesmo, achava que era um karma, mas pensando melhor, acho que está errado, de verdade. Não faz sentido algum ter essa alma e viver nesse mundo.
Espero que me entenda(m) e remaneje(m) essa sensibilidade a tantos quanto for possível.