quarta-feira, 19 de março de 2014

Camaleão


Pfacco15032014-261-106.jpg

Não é fácil, não poderia ser fácil.
Viver é deveras complicado a maioria da gente, para mim, que não me fiz pertencer a essa classe superior de animal é ainda mais difícil, para não dizer dolorido.
A mecânica de ser "humano" não foi por mim compreendia, não aprendi as matérias das aulas, não fiz a lição de casa, não comprei o livro nem me dei ao trabalho de ler ao resumo.  
Nada fazia sentido, nenhuma combinação de números, nenhuma proporção, nenhum tratado, nem revolução. Tudo chegava-me como zumbidos a perturbar toda a minha noção de realidade.
Deixei a prova em branco, mas a assinei, apenas para dizer que eu existia.
Em tudo que se tratava de ser gente fui reprovada desde sempre e até hoje.
Errei, errei e errei. Apenas me recordo de sucessões de erros quando tento me lembrar do tempo em que eu tentava fazer parte de alguma coisa.
Pudera, esse mundo não me coube (ou fui que fui demais para ele, ou de menos).
Entretanto, mesmo sem ser gente, misturo-me razoavelmente bem; as pressas, aos goles e aos tragos, passo despercebida.
A noite todos os gatos são pardos e na cidade entre tanta gente ninguém repara a fundo quando não há mais ninguém a reparar.

Por Pamela Facco

Nenhum comentário:

Postar um comentário