sexta-feira, 7 de março de 2014

Inconstante

Pfacco15032014-261-218.jpg


Que coisa mais difícil é essa de tentar ser um ser  por inteiro, se ouvir, se preencher e se respeitar. Ao mesmo tempo, saber que se é um par e sentir o dever de fazer isso tudo pelo outro também. Tentar salvar dois seres simultaneamente do vazio e da angústia que toda pessoa um pouco mais sensível trás dentro de si; as vezes parece menos dolorido não ser nada nunca, do que tentar ser um e ser dois ao mesmo tempo sempre e sempre tudo não basta. Sempre sobram rombos nas nossas almas, vácuos e abismos entre um par. Não quero atribuir títulos nem nomes às coisas que vivo, queria apenas desabafar que não há nada mais contraditório do que o sentir. Até ontem antes do meio dia a minha vontade mais genuína era de pular a janela, sair correndo, virar o tabuleiro, assoprar o castelo de cartas, por tamanho desconsolo e solidão. Hoje, sinto-me acolhida pelo mundo, cheia de carinho e com uma saudade leve, por uma ausência tão curta do meu amor.

Nunca soube apreciar as nuanças do sentir, nunca nem ao menos as soube identificar.

Quando quase me sinto um pouco calma e sutilmente feliz, já pego-me elevando tudo, preenchendo todas as minhas lacunas com pensamentos, sentimentos, lembranças e pessoas que me alegram. Junto tudo de bom que eu tenho e saio a rodopiar, a conquistar o mundo e todas as almas, ainda que sem sair do lugar. Entretanto quando algo me deixa quase chateada, todos os sinais de incompatibilidade que ficaram minimizados pela alegria, recebem grifos e flechas, tudo que me fiz em algum momento relevar volta em forma de um gigante perverso a pisar em tudo que sinto e tenho. Nessas horas sinto-me menor do que qualquer inseto e mais desolada do que um filhotinho de qualquer coisa sozinho no meio de uma noite escura.

Não sei como ser feliz se me faço e me refaço tantas horas e a cada hora sinto ser uma nova pessoa. Um pêndulo constante variando entre a completude e felicidade versos um sentimento de solidão e angústia sem fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário