De que vale se gastar a sentir sempre tanto?
De que vale a extensão da alma e a nossa tola consciência
sobre nós?
O que fazemos com tudo que é de tão certo e simples para a
nossa felicidade, quando é a complicação que está na moda, complicação
defendida com fervor por aqueles que foram adestrados pela cultura da liquidez
a serem sempre o menor possível, a fazerem sempre o mínimo, a darem cada vez
menos de si para cada vez menos pessoas.
Nesse vicio epidêmico de minimização pego-me assistindo inúmeros
shows de nulidades. Vidas inteiras
gastas em nada, para nada e por nada, eu chegaria a ter pena do mundo, se não
enxergasse certa esperteza nessas vidas tolas e vãs.
Eles caminharão por todo esse labirinto úmido e gelado, sem
sentirem grandes desconfortos, sem perceberem que não há saída, nem tampouco
janelas...sem sentirem esse inverno rigoroso grudado na alma nem terem seus
olhos molhados e ardidos por todas essas infinitas paredes brancas e frias.
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